Bailei na Curva 38 anos

Bailei na Curva mostra a trajetória de sete crianças, vizinhas na mesma rua em abril de 1964. Como pano de fundo, impõe-se uma forte realidade. Um golpe militar num país democrático da América Latina. A peça desenha, ao mesmo tempo, um quadro divertido e implacável da realidade. Divertido sob o ponto de vista da pureza e ingenuidade das personagens que, durante sua trajetória, enfrentam as transformações do final da infância, adolescência e juventude. E implacável graças às conseqüências de um Golpe Militar que vai refletir na vida adulta destes personagens.

Durante o desenvolvimento da história vai se desenhando um painel dos usos, costumes e pensamentos da sociedade brasileira na segunda metade do século XX. As brincadeiras de colégio, as aulas de educação sexual, as matinês no cinema, as reuniões dançantes nas garagens, os namoros no carro – uma juventude que opta pela guerrilha e clandestinidade em contraste à outra juventude que abraça as drogas e cai na estrada e, finalmente, adultos que optam pelas conquistas individuais na negação do passado em contraste com aqueles que lutam para resgatar as memórias dos anos de chumbo. Uma geração que encontra sua maturidade nos movimentos de Anistia e Abertura Política. E que encerra todas as suas esperanças no mandato de Tancredo Neves para presidente da república. Em 2021 o espetáculo completou 38 anos em cartaz, sendo a peça mais longeva do teatro gaúcho.

 

FICHA TÉCNICA

Direção: Júlio Conte

Roteiro e texto final: Júlio Conte, Cláudia Accurso, Flávio Bicca Rocha, Hermes Mancilha, Lúcia Serpa, Márcia do Canto e Regina Goulart

Música-tema: Flávio Bicca Rocha

Elenco: Ana Paula Schneider, Catharina Conte, Eduardo Mendonça, Guilherme Barcelos, Laura Leão, Leonardo Barison, Manoela Wunderlich e Saulo Aquino

Operação de luz: Gabriel Lagoas

Operação de som: Ismael Goulart

Operação de projeções: Cristiano Adeli

Produção executiva, assessoria de imprensa e mídias sociais: Gustavo Saul

Coordenação de Produção: Patsy Cecato

Realização: Cômica Cultural – Escola e Produtora de Teatro

Classificação: 12 anos

Duração: 120 minutos

Mais informações e contato para orçamentos: 51 3268-7016/98154-0682 (whatsapp) ou no e-mail comicacultural@terra.com.br aos cuidados de Gustavo Saul; 

 

Histórico

Bailei na Curva estreou dia 1º de outubro de 1983 no Teatro do IPE. A peça conta a história contemporânea do Brasil, do Golpe Militar de 64 à Abertura e o voto direto para presidente.

Desde sua estréia foram realizadas, em Porto Alegre, sob direção de Júlio Conte, duas remontagens, em 1994 e 2001. Texto montado em todo o Brasil e adotado como material de estudo em várias escolas do território nacional, a peça BAILEI NA CURVA completou, em 2008  vinte e cinco anos de sucesso absoluto, consagrando-se como um clássico do teatro brasileiro.

Foi a primeira peça gaúcha a se apresentar no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, depois da reforma em 1984. E foi convidada pela própria Eva Sopher para festejar os dez anos da reabertura em 1994. Neste período, esteve em cena a primeira geração de atores da peça: Marcos Breda, Flávio Bicca Rocha, Márcia do Canto, Regina Goulart, Lúcia Serpa, Cláudio Cruz, Cláudia Accurso, Neneca Cavalheiro, Marley Danckwardt, Fernando Severino, Hermes Mancilha e Júlio Conte. A montagem atual formada pelos atores Cíntia Ferrer, Érico Ramos, Evandro Elias, Ian Ramil, Juliana Brondani, Leonardo Barison, Melissa Dornelles e Patrícia Soso mantém o vigor dos momentos de descoberta e, ao mesmo tempo, admite uma releitura da História.

Na montagem atual, o background emocional é dado por três videoclipes com imagens das décadas de 60, 70 e 80 permitindo que aqueles que não viveram estas épocas possam ter uma idéia do que foram aqueles anos de chumbo e as possibilidades que pelo menos duas gerações tiveram que inventar para sobreviver e não se perder por aí.

Trilha Sonora

“A principal característica da trilha sonora é a música-tema, especialmente composta por Flávio Bicca Rocha, Horizontes. Esta canção traduz toda a melancolia de uma infância ultrajada por perdas irreversíveis e de um sonho que se mantém de não se permitir que a história de violência se repita.

Horizontes
(Flávio Bicca)

Há muito tempo que ando,
Nas ruas de um porto não muito alegre
E que no entanto
Me traz encantos
Um pôr de sol me traduz em versos

De seguir livre, muitos caminhos
Arando terras
Provando vinhos
De ter idéias de liberdade
De ver amor em todas idades

Nasci chorando
Moinhos de Vento
Subir no bonde
Descer correndo
A boa funda de goiabeira
Jogar bolita
Pular fogueira

Sessenta e quatro
Sessenta e seis
Sessenta e oito, mau tempo talvez
Anos setenta, não deu pra ti
E nos oitenta, eu
Não vou me perder por aí.

As outras canções utilizadas são referências da época evocada pelo espetáculo. Assim como as imagens projetadas no telão, essas canções situam o momento histórico da cena.